21/11/2016 - Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Leia mais. ↓
Pesquisadores do Centro Tamar/ICMBio e Fundação Pró-TAMAR visitaram o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos (PARNAMAR) em outubro, para dar andamento ao Plano de Ação Nacional para Conservação das Tartarugas Marinhas (PAN) e caracterizar o arquipélago como área de alimentação da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata). A expedição partiu de Caravelas na lancha do ICMBio e contou com a presença do chefe da UC, Fernando P. M. Repinaldo Filho, além da equipe de monitores e pesquisadores locais, como Bernadete Barbosa, há 28 anos em Abrolhos, além da equipe do TAMAR. Os esforços de captura foram realizados principalmente entre as ilhas Santa Barbara e Siriba, devido às condições do mar, sempre em áreas rasas variando de 0,5 m a 5 m de profundidade.
Várias atividades foram realizadas durante os três dias de visita, como mergulhos para capturas, capacitação e palestras sobre procedimentos e metodologias, gravação do programa da TV Globo 'Como Será?'. Uma tartaruga-de-pente que já era conhecida da equipe local e tinha até nome: Bebete, foi recapturada e teve dados coletados. Na gravação do programa 'Como Será?', com o apresentador Alexandre Henderson, foram recapturadas duas tartarugas-de-pente e se falou sobre Abrolhos, tartarugas marinhas e conservação.
Uma das apresentações foi para capacitação em metodologia de estudos de indicadores demográficos através de captura, marcação e recaptura de animais na água, a longo prazo. Foram desenvolvidos temas pelo biólogo do TAMAR, Armando Barsante, como métodos de captura, regras básicas de segurança, protocolos de coleta de dados, equipamentos necessários e possibilidades de investigação. Um mergulho noturno resultou na captura de uma tarraruga-de-pente marcada e de quatro tartarugas-verdes (Chelonia mydas), sendo três recapturas e uma marcada pela primeira vez, que apresentava tumores.
No último dia de visita, em um mergulho foram capturadas quatro tartarugas-de-pente, sendo três recapturas e uma marcada pela primeira vez. Também foi realizada pela analista ambiental do Centro Tamar/ICMBio, Cecília Baptistotte, uma apresentação sobre fibropapilomatose, uma atualização sobre o estado da arte nas pesquisas científicas sobre a doença, com enfoque nos cuidados sanitários necessários no manuseio dos animais, além de informações básicas sobre reabilitação, resgate e transporte.
A equipe do PARNAMAR já estava familiarizada com os protocolos de coleta de dados e também com as técnicas de captura. O trabalho de captura, marcação e recaptura foi iniciado pela Dra. Maira Proietti, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e posteriormente por duas expedições com a participação de equipes do TAMAR. Para atingir os objetivos do PAN, foi discutida a necessidade de um esforço contínuo e que a periodicidade deveria depender da capacidade de execução. A direção do PARNAMAR pretende realizar uma expedição para captura, marcação e recaptura a cada três meses.
As tartarugas-de-pente até o momento identificadas em Abrolhos são principalmente animais jovens, entre 40 e 50 cm de comprimento de casco, o que leva a crer que o arquipélago é uma importante área de alimentação e descanso para esta espécie. Elas são vistas comumente em águas rasas e são carnívoras, se alimentando de uma grande variedade de presas, mas principalmente anêmonas e esponjas. As análises genéticas conduzidas pela FURG têm indicado que as tartarugas-de-pente encontradas em Abrolhos nascem principalmente na Bahia e no Rio Grande do Norte, que são as principais áreas de desova desta espécie no Brasil. Entretanto, há também contribuições em menor escala da África e do Caribe.
O Projeto TAMAR começou nos anos 80 a proteger as tartarugas marinhas no Brasil. Com o patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, hoje o projeto é uma soma de esforços entre a Fundação Pró-TAMAR e o Centro Tamar/ICMBio. Trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 25 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.
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