06/03/2017 - Estudo sobre incidência de embolia gasosa em tartarugas marinhas capturadas incidentalmente no arrasto de fundo. Leia mais. ↓
Entre os dias 11 e 30 de janeiro, foi realizado um experimento financiado pelo Programa de Engenharia para Redução de bycatch do NOAA, com o objetivo de estudar a incidência de embolia gasosa em tartarugas marinhas capturadas incidentalmente no arrasto de fundo. Esta é a primeira vez que esta doença descompressiva em tartarugas marinhas é estudada a bordo de um navio de pesca. O estudo piloto revelou aspectos importantes sobre a doença e os possíveis mecanismos de descompressão. O projeto tem a colaboração do instituto L'Oceanogràfic de Valência, na Espanha, e conta com pesquisadores de instituições renomadas, como o SUBMON, também localizado na Espanha, e o NEMA, no Brasil.
A médica veterinária, Mariluz Parga, especialista em captura incidental de tartarugas na pesca, trabalhou a bordo de uma embarcação de arrasto de fundo, junto a um biólogo do NEMA, no sul do Brasil. Ao serem capturadas, as tartarugas eram imediatamente trazidas a bordo e avaliadas com auxílio de um ultrassom portátil para checar a presença de bolhas de gás na circulação e nos órgãos. Além disso, todos os animais tiveram amostras de sangue coletadas para avaliação de parâmetros bioquímicos indicadores de afogamento.
Resultados - Foram capturadas sete tartarugas, das quais seis eram cabeçudas (Caretta caretta) e uma oliva (Lepidochelys olivacea). Todos os animais chegaram vivos a bordo, porém estavam extremamente fracos e apresentavam sinais de afogamento. Após a avaliação clínica, todos os indivíduos foram submetidos a uma ultrassonografia dos rins, coração, grandes vasos sanguíneos e fígado, além de terem amostras de sangue coletadas, para análise bioquímica completa. Após os procedimentos, as ultrassonografias foram repetidas a cada 20-30 minutos para avaliar a evolução do gás (nitrogênio) nos tecidos e vasos sanguíneos das tartarugas.
Duas tartarugas apresentaram melhora evidente durante as primeiras duas horas que permaneceram a bordo, sendo liberadas em seguida com um transmissor pop-up para monitoramento da mortalidade pós-liberação. As outras 5 tartarugas morreram após várias horas e, foram submetidas a uma necropsia completa, para avaliar a embolia e para confirmar a morte por afogamento. Este diagnóstico foi confirmado para todos os animais examinados.
A captura incidental de tartarugas marinhas em diferentes pescarias resulta em altas taxas de mortalidade tardia, efeito que pode ocorrer muito tempo após a liberação destes animais. Assim como as mortes agudas, provocadas principalmente por afogamento, os efeitos subletais da pesca, aqueles que debilitam, podendo matar, também contribuem para o declínio das populações ameaçadas. A associação de diferentes métodos de apoio ao diagnóstico, como a análise sanguínea e exames de imagem permite a melhor compreensão da fisiologia e das alterações clínicas decorrentes da captura incidental. Considerando que a captura incidental na pesca é uma das maiores ameaça às populações de tartarugas marinhas, no Brasil e no mundo, este e outros estudos envolvendo o tema (como o que está sendo realizado pelo Projeto TAMAR) podem contribuir para minimizar os casos de mortalidade tardia entre tartarugas.
O que é doença descompressiva - A doença descompressiva abrange uma ampla gama de manifestações clínicas relacionadas à formação de bolhas de gás na circulação e nos órgãos. É comumente observada em mergulhadores e seus sintomas podem variar de leves a fatais, afetando principalmente a musculatura e o sistema nervoso.
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